Sintomas

Sobre o Alcoolismo

quarta-feira, 23 julho , 2014

A intenção deste artigo não é desfazer da importância das propagandas e programas antialcoolismo, mas fazer considerações acerca de que se o álcool não é a causa, mas sim a consequência de um adoecimento psíquico e que ao combatê-lo por meio da censura, o psiquismo “dispõe de outros meios de fuga na doença”.

Sendo assim é preciso abrir espaço para o indivíduo elaborar as questões que o leva a refugiar-se nas drogas. Gostaria de falar especialmente do alcoolismo e fundamentarei especialmente as minhas ideias no artigo “O álcool e nas neuroses” de Sandor Ferenczi.

Não se pode desconsiderar, os elementos psicogênicos, que na maioria das vezes leva o indivíduo ao consumo e a embriaguez. Neste ponto o que nos interessa pensar é que a embriaguez não está necessariamente relacionada a uma dose elevada de álcool. O que faz muito sentido quando consideramos que é a experiência e não necessariamente o teor alcoólico que promoverá a alteração no comportamento.

Por trás do sintoma da embriaguez está um indivíduo que acaba por liberar suas sublimações e seus recalques, e em nome da bebida libera seus complexos, por exemplo, através de palavras agressivas, inoportunas e grosseiras. O que é possível inferir é que sem esse recurso fica impedido de que seus desejos mais profundos e reprimidos encontrem satisfação. Não é difícil escutarmos no senso comum a utilização do álcool para conseguir dizer ou fazer algo que não se conseguiria sem ele! Aqui o risco é de que o uso passe a ser frequente, pois incorpora a ideia de que a única possibilidade de dar conta das questões emocionais e relacionais seria recorrendo aos prazeres extrínsecos, neste caso a bebida alcoólica.

Um adolescente, por exemplo, ao perceber que suas inibições caem ao usar o álcool e que desta forma resolve seus problemas relacionados à sexualidade ou a dificuldades amorosas possivelmente repetirá a dose. Esse jovem pode aos poucos diminuir a ansiedade e não precisar mais deste recurso, mas também pode ficar aprisionado a ideia de que a bebida alcoólica e somente ela o livrará das amarras emocionais e afetivas. A questão é que a cada ingestão de álcool o organismo torna-se mais tolerante e sendo assim para que o seu objetivo se cumpra terá que aumentar a dose, sendo que aos poucos o objetivo não encontra alcance. Por quê? O excesso acaba por paralisar o indivíduo de outras formas (cai bêbado, impotência…). E é pelo excesso que o corpo deste indivíduo padece.

Freud (1905) no seu artigo “O chiste e sua relação com o inconsciente”, nos ensina que a utilização do álcool como recurso psíquico produziria certa regressão onde o indivíduo adulto se apresentaria como a criança que age livremente sem censura: “Sob a influência do álcool o adulto torna-se outra vez uma criança tendo de novo o prazer de dispor de seus pensamentos livremente sem observar a compulsão da lógica”.

É possível compreender que a droga (o objeto) é um dos recursos mais fáceis para atender as exigências e a pressão que o “eu” do indivíduo exerce a fim de obter satisfação (sua finalidade), no entanto, o corpo como fonte desse processo, não escapa as dores e ao sofrimento que o uso excessivo e a dependência irão produzir nele.

O que se percebe é que o “eu” do indivíduo fica refém das pulsões autodestrutivas quando no uso excessivo do álcool e que as justificativas para essa prática demonstram que o senso de moralidade cai naqueles que se tornam usuários muito frequentes ou dependentes: mentem, fazem promessas e muitas vezes comportam-se de forma promiscua e cruel!

Os exemplos acima mostram que se não há um espaço para reelaborar as questões que paralisam a vida há grandes chances de que a história se repita ainda que o “pano de fundo” não seja o mesmo! De repetição em repetição o que se busca é o alívio ainda que a dor esteja presente!

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