Sexualidade

Sexualidade fluida – uma marca do nosso tempo

terça-feira, 10 fevereiro , 2015

Não podemos temporalizar questões relacionadas ao amor, desejo e afetividade. As experiências em qualquer período da vida serão capazes de levar um indivíduo a surpreender-se a si mesmo.
liberdade de genero

 

Descobrir-se homossexual na maturidade não é indicativo repressão.

É preciso lembrar que Freud nos ensina que a bissexualidade seria uma disposição psíquica inconsciente que é própria de toda a subjetividade humana.

As manifestações sexuais infantis é que vão revelar os traços essenciais da pulsão: ela não tem objeto sexual determinado, está sob o domínio de zonas erógenas eletivas, qualquer parte do corpo pode ser investida pela pulsão. A sexualidade infantil aponta para a plasticidade da pulsão sexual perverso-polimorfa que se caracteriza por pulsões parciais, as zonas erógenas sendo fontes de diferentes pulsões parciais.

Se pensarmos a partir da teoria da libido onde essa seria uma energia, um desejo sexual que quer satisfazer-se e que para isso precisaria fixar-se em objetos (esse plural nos leva a pensar que não há um objeto determinado), poderia deslocar-se em seus investimentos mudando de objeto e objetivo a qualquer momento. Ou seja, em qualquer momento da vida esse desejo sexual pode ser transferido, para um trabalho, estudo… ou a escolha de um parceiro sexual do mesmo sexo!

Não podemos temporalizar questões relacionadas ao amor, desejo e afetividade. As experiências em qualquer período da vida serão capazes de levar um indivíduo a surpreender-se a si mesmo. Sendo assim a qualquer momento é possível repensar sua forma de educar, politizar e amar. O que muitas vezes acontece com dor e angustia, pois não é simples escapar dos discursos dominantes sociais/culturais e ou biologizantes.

 

 

 

A sexualidade é fluida e desconhece as fronteiras de gênero.

A partir do que Freud nos ensina sobre circulação de quantidades de energia quando nos apresenta um aparelho psíquico como resultante de um processamento de quantidades de excitação que atravessa esse aparelho. Pensar esse aparelho não como um aparelho energético organicista ou mental, mas sim como um aparelho de prazer, desprazer e angústia que tem como objetivo obtenção de uma satisfação. Estamos sempre diante de um psiquismo que se constitui pulsionalmente visando à obtenção de prazer que só se dá no encontro com o outro desde o início da vida. Esses encontros deixaram marcas eróticas de satisfação e dor. Na vida adulta o modo de lidar com a sexualidade será imprevisível e indeterminada. Poderíamos pensar o inconsciente como uma máquina que agencia os fluxos na qual o desejo não cessa de efetuar acoplamentos de fluxos contínuos e objetos parciais. Pensando desta forma cairia por terra a ideia de que a escolha de um objeto sexual estaria relacionada à escolha de um gênero. Em toda parte do corpo há libido e não poderíamos privilegiar nenhuma delas, como por exemplo, a primazia dos órgãos genitais. Essa ideia de privilegiar a sexualidade genital é uma armadilha da razão que prever um modo unificado de pensar a sexualidade humana. A sexualidade fluida poderia ser entendida a partir da psicanálise a partir desta plasticidade da sexualidade humana que romperia com um determinismo anatômico, em desacordo com um determinismo simbólico universal.

 

casal homens

 

Amizade e satisfação sexual entre mulheres dentro da sociedade.

Penso que é socialmente permitido as mulheres, tocarem-se, acariciarem-se, andar de mãos dadas, dormirem juntas na mesma cama. A relação entre mulheres é mais fluida desde sempre. Todas essas experiências ainda que não sejam sexuais são sexualizadas, pois produzem um enorme prazer. Muitas vezes não passa de uma relação de amizade, outras vezes já se percebe desde então um desejo sexual por mulheres… Ou esse desejo será recalcado buscando manter um certo acordo com a cultura que determina como certo uma relação heterossexual. Desta forma percebe-se que é muito mais fácil dissimular uma relação amorosa entre mulheres tornando mais enigmático sua orientação sexual.

O reconhecimento do prazer e a possibilidade de entregar-se a ele é uma condição mais fácil de ser reconhecida na mulher por outra mulher, pois a excitação não são necessariamente alcançados por sensações genitais. Na mulher é encontrada áreas de prazer (mais facilmente) em todo o corpo: boca, pescoço, seios, coxas, costas, barriga, pernas, pés… E pelo estímulo do clitóris! Poderíamos arriscar falar que o sexo entre mulheres tenderia a ter melhores resultados, pois sugere maior reciprocidade entre elas. Sexualidade não é sinônimo de orgasmo, é a energia que motiva encontrar o amor, o corpo e a intimidade no sentir com… No tocar e ser tocada.

Escuto na clínica queixas e descontentamentos das mulheres casadas com homens que muitas vezes não sentem nenhum prazer na relação sexual, pois eles partem logo para a penetração desconsiderando que a excitação do corpo feminino se dá através das preliminares.

 

 

Experimentar abertamente – uma característica atual.

Não penso que seja uma condição da idade adulta, mas sim uma marca da atualidade! Não há nada de novo ao que assistimos hoje ao que se refere as mais variadas formas de amar e explicitar esse amor. O que acontecia era uma maior repressão que favorecia inclusive o adoecimento psíquico. Sendo assim os tempos atuais não produzem um modo homossexual de se relacionar apenas favoreceu aqueles que não podiam explicitar sem culpa ou ao menos sem repressão os seus desejos sexuais. As mulheres estão mais livres, mais autônomas e mais independentes e por isso começam a viver de forma mais livre em busca pelo que pode trazer mais prazer e o sexo está incluído: É possível escutar nos relatos das mulheres que experimentam relacionamentos com mulheres que o envolvimento aconteceu em função da busca de uma relação onde houvesse mais respeito às diferenças, mais diálogo, liberdade e parceria. Segundo algumas delas essas características são encontradas mais facilmente nos relacionamentos homossexuais.

 

casal mulheres

 

 

Fluidez sexual.

A sexualidade está presente desde o nascimento e a maturidade sexual dependerá do percurso, de toda a construção da subjetividade desde a infância. Na fase descrita como genital (aproximadamente aos 10 anos) é que começa a perceber as diferenças em termos de gênero (masculino e feminino). Acontecem as transformações biológicas, sociais e afetivas. A libido concentra-se nos órgãos genitais em função do amadurecimento dos mesmos. Coincidindo com amadurecimento, psicológico, biológico, intelectual e social do indivíduo.

Como não abandonamos as fases anteriores que são compreendidas como parciais (oral, anal, fálica) esses estarão sempre presentes no que se refere aos encontros amorosos.

Pensar os conceitos a partir da psicanálise sugere que a experiência sexual é uma experiência de satisfação por meio da experiência sensorial das zonas erógenas ampliadas da relação do indivíduo com o mundo subordinadas a vicissitudes do desejo.

O que acontece muitas vezes é que em nome de um determinado modelo social permitido há uma domestificação das pulsões. Haveria uma adequação quanto ao seu destino, isto é, ou desloca para outros objetos ( os permitidos) ou sublima as forças motivadoras eróticas.

O que tem acontecido nos últimos anos é que as pessoas estão mais conscientes de que a sexualidade é tanto um produto da linguagem / cultura quanto da natureza e que a ideia de tentar fixá-la e estabilizá-la vai contra a fluidez da pulsão.

 

casal mulheres 2

 

Assumir-se homossexual ainda pode trazer muitas angústias no âmbito social.

Há ainda certo moralismo no seio da família, que trata a homossexualidade como doença e a ignora como uma das diversas formas de identidade sexual. O indivíduo cresce com aquela noção de moral e com a ideia de heterocentrismo, de que ser homem ou mulher é ser hétero sendo assim muitas vezes há muito dor e angustia diante da descoberta em relação a sua orientação ou melhor re-orientação sexual. O receio de não ser aceito pela família, sobretudo quando se tem filhos.

Há um certo vazio entre o que o corpo sente e deseja com o que intelectualmente pensa sobre a experiência! O que muitas vezes levam homens e mulheres investidos em relações homossexuais a buscar um espaço de análise para aceitar a condição e administrar afetivamente junto aos pais, filhos e amigos próximos os seus próprios preconceitos!

 

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