Psicanálise

O trauma e a capacidade de resiliência

quarta-feira, 8 abril , 2015

Se levarmos em consideração que cada indivíduo tem uma história pregressa e uma história traumática, o tempo que ele terá para o reestabelecer-se será definido caso a caso.

trauma e resiliencia

 

Essa semana fui provocada a pensar  sobre o massacre de Realengo em 2011 quando  Wellington Menezes de Oliveira entra  armado na Escola Municipal Tasso da Silveira e mata 12 crianças, com idades entre 13 e 16 anos. Outros 13 jovens ficaram feridos. Wellington se suicidou logo após cometer os crimes. Pensar ainda o que acontece com as vítimas e a capacidade de construir ou reconstruir suas vidas após uma experiência violenta como essa, por fim pensar o trauma.

O trauma se dá numa equação, isto é, precisa de um acontecimento ( a experiência real) mais  a história psíquica do individuo traumatizado ( suas fantasias). Podemos considerar o traumático como uma experiência dolorosa, brutal, inimaginável e que por ser assim nos desorienta, pois promove um desvio na historia de vida sem a possibilidade de elaboração.

Nesse sentido o que entendemos por traumático não é a própria experiência, mas sim o “colapso do sentimento de existência” – o que é da ordem da violência diante de uma tragédia é saber de que a qualquer momento é possível experimentar uma ruptura de continuidade da própria vida.

O conceito de resiliência, emprestado da Física, nos ajuda a pensar como se da o retorno para a vida após uma experiência como a dos jovens e das famílias vítimas do massacre de Realengo: refere-se à propriedade de materiais que acumulam energias quando submetidas a situações de stress com rupturas.  Esses materiais logo após a experiência de tensão são capazes de retornar ao seu estado inicial ainda que tenham sido danificados.

Ao analisarmos o conceito de resiliência no campo psicológico  é preciso compreender que não é uma capacidade  adquirida naturalmente.  A resiliência  será construída a partir da relação da criança com os adultos que a cerca ainda na primeira infância.  Se da, portanto, no interior das relações a partir dos laços afetivos.

Nesse sentido é preciso considerar que por mais violenta que seja a experiência, mesmo uma violência extrema, se há o acolhimento da comunidade, da sociedade e da família ao indivíduo impactado por ela, será possível retornar psiquicamente a um lugar do infantil onde se experimentou a esperança, isto é, um lugar onde a criança ficou marcada pelo sentimento de que fora socorrida nas suas dificuldades.

Dentro desta perspectiva se pensarmos numa tragédia que envolve muitas pessoas veremos que a experiência (comum a todos os envolvidos) produzirá vínculos emocionais que também serão usados como recursos psíquicos para dar amparo a cada um daqueles que estão sob efeito do trauma:  Os sentimentos comuns é que geram a verdadeira fonte de sua força.

No entanto não podemos de deixar de falar do trabalho individual realizado por cada pessoa que vive uma perda: O trabalho de luto.  É esse trabalho de luto que produzirá movimento e é esse movimento que permitirá o indivíduo a encontrar algo que faça sentido e o leve a produzir. Freud nos ensina que por mais doloroso que seja o luto tem um fim espontâneo.  Ao término do trabalho de luto poderia se fazer uma renuncia ao que foi perdido deixando a libido mais livre para novos investimentos.

Por fim, é preciso diferenciar luto de melancolia, pois essa última sugere um modo de lidar com as perdas que é muito caro pois  produz um profundo desânimo que faz o individuo perder o interesse pelo mundo e perder a capacidade de amar. A melancolia impossibilita a libertação do individuo para que possa viver novas experiências. Ele se perde junto com o que foi perdido.

Se levarmos em consideração que cada indivíduo tem uma história pregressa a história traumática o tempo que se terá para se restabelecer será definido caso a caso.

 

 

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