Psicanálise

Ser Mãe

segunda-feira, 24 abril , 2017

Muitas mulheres, antes de engravidar, não compreendem as mudanças ocorridas nas vidas de suas amigas e irmãs que já têm filho. Elas não se veem fazendo (ou deixando de fazer) certas coisas após o nascimento do bebê. Como é difícil, antes de ter filhos, imaginar-se limpando o cocô de um bebê ou ficando noites sem dormir…

Para muitas mulheres, parece missão impossível! Cuidar de um bebê parece difícil e, de fato, é. Mas também é frequente as mães se surpreenderem com as próprias atitudes após o período de gestação, ao se depararem com este novo ser que já faz parte da história da sua vida.

Cuidar de um bebê é trabalhoso, pois, entre outras situações, não se compreende muito bem o que ele sente ao chorar, se deve chupar chupeta, se deve ter hora para mamar… Isto deixa as “mamães de primeira viagem” inseguras.

Penso que um dos aspectos importantes a ser considerado pelas novas mamães é a possibilidade de escutar suas intuições. Uma mãe que estabelece um bom encontro com o bebê desde as primeiras horas do nascimento vai construindo um lugar junto a ele. Portanto, maiores são suas chances de compreender o que está acontecendo ou, ao menos, de se manter calma até que o melhor para o bebê possa ser feito.

Uma gravidez tranquila seguida de um parto tranquilo em que, sobretudo, o bebê possa ficar com a mãe desde os primeiros momentos de vida são condições importantes para que um bom encontro aconteça.

Um bom acompanhante na maternidade, que dê suporte tanto para o bebê quanto para a nova mamãe, também é fundamental. Não adianta, por exemplo, pai e mãe ficarem nervosos se o bebê enfrentar dificuldades com as primeiras mamadas ao seio! Mesmo que o acompanhante não tenha experiência (um “papai de primeira viagem”), a mãe precisa sentir confiança e saber que pode contar com ele.

Outro aspecto importante é a escolha do pediatra que irá acompanhar o desenvolvimento da criança. É claro que não se pode e não se deve colocar o médico no lugar de alguém que irá conhecer o bebê mais do que a própria mãe. Definitivamente, este não é o lugar do pediatra. Mas deve ser alguém que ofereça segurança, que tenha sido indicado por profissionais, parentes ou amigos próximos à família. O pediatra dará aos pais um feedback da evolução da criança e tratará das doenças infantis que aparecerem no caminho.

Também será de grande ajuda escutar pessoas mais velhas, como a avó do bebê. Com sua experiência, os mais velhos podem dar um bom suporte e mais tranquilidade à mamãe novata.

O retorno para casa com o novo membro da família exigirá uma adaptação à nova configuração familiar. O bebê necessitará da atenção da mãe, dos seus cuidados e do seu afeto. No entanto, esta mãe deve estar atenta para que possa ver a vida para além do filho.

Apesar de ser uma fase trabalhosa e ao mesmo tempo muito encantadora e cheia de novidades (afinal de contas, a maternidade é algo muito especial), a nova mamãe não deve esquecer que não deixou de ser mulher, amiga, profissional e cidadã só porque teve filho. Para a saúde emocional de todos, é bom que a mãe olhe para ela mesma além de olhar para o lindo bebê da casa e faça algo interessante além de ficar às voltas com fraldas, mamadeiras, sopinhas e banhos de sol.

Reservar um tempo para si, o marido, os amigos e pequenas atividades que fazia antes do nascimento do bebê, como ler jornal, usar a internet ou pintar um quadro, trará benefícios a longo prazo.

Determinadas mulheres, ao se tornarem mães, abrem mão das suas vidas e passam a viver em função dos filhos. Algumas, inclusive, têm dificuldade em permitir que o pai ou qualquer outro adulto participe do processo.

Outras deixam de cuidar do próprio corpo e até se esquecem dos maridos. Não é bom para a mãe e muito menos para o bebê que acaba de chegar ao mundo e precisa crescer!

O bebê, para crescer de forma saudável dentro do que entendemos ser um desenvolvimento normal, precisa conhecer o mundo, isto é, o mundo fora desta relação mãe-bebê. Como?

O filho, assim como precisa dos cuidados básicos para a sua sobrevivência física (alimentação e higiene) e emocional (carinho, atenção e um colo aconchegante), precisa também de certo distanciamento da mãe ou de quem dele cuida. Poderá crescer saudável do ponto de vista psíquico na medida em que a mãe permitir a entrada do pai na relação (ou de outros adultos presentes na sua vida), ou seja, desejar algo mais do que aquele filho.

O bebê só desviará o seu olhar da mãe e poderá se relacionar com outros objetos, isto é, com o mundo que o cerca, na medida em que a mãe desviar também o seu olhar do bebê e apresentá-lo ao mundo.

É preciso compreender que a criança só conhece a vida além do seu próprio umbigo pelas mãos da mãe.

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