Psicanálise

Filhos – Quando o casamento acaba

segunda-feira, 16 janeiro , 2017

Mães e pais devem estar atentos ao se separarem para não deixarem marcas em seus filhos.


 
Ok, o casamento acabou! Seja por falta de amor, de afinidade, de desejo, por traição… Esses motivos, entre outros, levam o casal a desconstruir a relação e sair em busca de novas conquistas, novos rumos… Uma nova vida.
 
Quando não há filhos, ótimo. Ainda que haja sofrimento, dor ou ressentimento, os vínculos são desfeitos e, aos poucos, cada uma das partes encontra seu caminho. Se não restou nem amizade do período em que viveram juntos, poderão optar por nunca mais se encontrarem.
 
E quando há filhos? É possível romper com todos os vínculos? É possível buscar caminhos onde não existam cruzamentos que provoquem encontros? Neste momento você deve estar respondendo: “É óbvio que não! Os filhos são um elo permanente entre eles”. No entanto, o que parece tão óbvio na teoria nem sempre é tão fácil de colocar em prática quando se vive essa experiência.
 
Se dentre os motivos que levam o casal a se separar não há nada relacionado à criança – por exemplo, maus tratos de todas as ordens onde a parte saudável certamente buscará todos os recursos para protegê-la – é fundamental que a imagem do pai e da mãe seja preservada.
 
No acompanhamento de crianças e suas famílias na clínica, não são raras as vezes que assisto ao adoecimento psíquico da criança por ocupar, em diversas situações, o lugar de objeto na relação do casal, bem como no processo de separação. Os pais agem sem avaliar as consequências, sem pensar que a criança não pode ser colocada em um lugar que não lhe pertence e que, possivelmente, ela não tem condições de “habitar”. Vejamos alguns exemplos:
 

• A mãe que faz do filho seu confidente:
É muito sofrido para um filho ter que fazer alianças. Ele ama os pais e, ainda que um ou outro tenha errado como marido ou mulher, não quer dizer que o lugar de pai e mãe precise ficar ameaçado. Muitas vezes esse filho se sente na obrigação de tomar partido, o que mais à frente poderá trazer consequências, como a dificuldade de construir as suas próprias relações amorosas.
 
• O pai que desqualifica a mãe: Por mais que a mulher tenha decepcionado o marido, não possua as qualidades esperadas por ele e, por isso, não seja a parceira desejada, não significa que não seja uma boa mãe. Tanto o menino quanto a menina, principalmente quando pequenos, precisam da figura materna para se desenvolver psiquicamente. É preciso distinguir a mulher da mãe e permitir que essa exerça a sua função.
 
• A mãe que proíbe ou dificulta o pai de ver ou pegar o filho: A criança não é propriedade de um dos pais. Por mais que uma das partes tenha a responsabilidade legal de cuidar dela, não detém o direito de privá-la da convivência com a outra (pai ou mãe). Por mais que o casal esteja com raiva, por maiores que tenham se tornado as diferenças entre eles, sejam econômicas, sociais ou até mesmo de valores, é preciso que a criança viva essa experiência.
 
• Os pais que dizem à criança que decidiram se separar porque será melhor para ela: A criança se sente culpada e pensa que foi o motivo da separação, o que poderá gerar uma série de sintomas.

 

Não há nada de ingênuo nestas situações, por mais que muitas delas aconteçam sem intenção prévia. É difícil acreditar na dificuldade que homens e mulheres têm de perceber que, ao usar seus filhos para atingir um ao outro, são os próprios filhos os mais prejudicados. Os adultos, ao longo do tempo, podem deixar para trás os mal-entendidos, podem virar a página dessa experiência amorosa e reconstruir suas vidas, mas as marcas deixadas no filho, certamente, o acompanharão como as cicatrizes de uma grande ferida.

 

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