Infância e Adolescência

Por que as crianças perguntam?

quinta-feira, 3 dezembro , 2015

É impossível prever as perguntas das crianças ou se preparar antecipadamente para elas. Com frequência, pais, parentes e professores se veem num beco sem saída, com muita dificuldade de satisfazer as curiosidades que rodeiam o mundo infantil.

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As mesmas perguntas podem ser respondidas facilmente por uns e se mostrar angustiantes para outros. No entanto, independentemente da facilidade ou dificuldade em lidar com o tema da pergunta, sempre surge dúvida quanto à possibilidade de responder ou até onde ir com a resposta.

Por que os pequenos perguntam tanto e por que os pais precisam entender este processo?

A criança pergunta ou porque tem interesse no assunto, isto é, conhece o objeto e quer explorá-lo, ou por curiosidade. Por interesse, as perguntas são feitas com o objetivo de explorar o objeto a ser investigado e podem ser enquadradas no campo intelectual. Nas perguntas em que a curiosidade está presente, pode-se perceber que parte do seu conteúdo não é conhecida e vem investida de muita ansiedade. As crianças pequenas usam as perguntas como possibilidade de elaborar questões de ordem emocional. Uma pergunta que a princípio pareceria ingênua ou “boba” aos olhos dos pais e professores pode ter na sua origem angústia, medo ou ansiedade.

Entendendo, então, que as perguntas não funcionam apenas como um recurso pedagógico, mas também estão a serviço da possibilidade de ressignificar assuntos de ordem pessoal, nem sempre as respostas serão compreendidas pela criança. Em muitos casos, ela não entenderá facilmente as explicações dadas devido à ansiedade contida no ato da pergunta. Assim, o fato de perguntar diversas vezes a mesma coisa não significa que a criança tem dificuldade de aprendizagem, mas que necessita da repetição até que algo faça sentido no campo das emoções.

Aqueles que acompanham as crianças precisam ter paciência e não desestimular este processo para que elas não paralisem. Muitas vezes, a resposta parece clara, e realmente é, do ponto de vista intelectual (isso, certamente, para o adulto que está respondendo), mas por trás daquela pergunta há algo que ainda não foi compreendido e por isso a criança insiste até se sentir segura.

É extremamente saudável a criança insistir nas perguntas e dar seguimento ao processo de investigação, já que a falta de perguntas aponta para a inibição do pensamento.

Uma criança que vê um passarinho passar voando e pergunta se um dia ele vai voltar, por exemplo, pode estar perguntando se os pais, ao saírem, sempre retornarão. Portanto, um sim ou um não será ainda muito pouco para que a criança possa elaborar a angústia ou o medo que sente com a ausência dos pais.

Não cabe aos adultos envolvidos na educação de crianças buscarem o que há por trás das perguntas feitas, mas é importante saberem que precisam acompanhar as crianças neste processo de elaboração das suas dúvidas, dos seus medos e das fantasias nelas inseridas.

Por outro lado, os adultos devem perceber quando o ato de perguntar visa à manipulação e ao jogo de poder. É comum crianças fazerem perguntas para interromper conversas entre adultos (principalmente entre os pais) quando não estão incluídas nestas conversas ou não são o centro das atenções. Muitas crianças se utilizam do poder de sedução para desviar a atenção do pai ou da mãe, por exemplo, falando sobre algo que eles gostariam de escutar: “Pai, comi tudinho, não é?”, “Mamãe, posso te dar um beijinho?” Certamente, não há nada de inocente nestas intervenções.

Os pais precisam estar atentos, pois, quando cedem aos encantamentos contidos nas perguntas, estão ensinando que a criança pode usar a sedução como instrumento de manipulação.

A dificuldade enfrentada por muitos adultos em responder às crianças é outra questão importante que precisa ser compreendida. Muitas vezes, as perguntas incomodam tanto que se tornam insuportáveis. Não se pode esquecer de que as respostas ou não respostas que as crianças receberão virão com uma carga de emoção que pode afetar o seu desenvolvimento.

Assim sendo, as perguntas precisam ser respondidas com certa tranquilidade, com clareza e com responsabilidade. Não se deve responder de qualquer modo apenas para fugir da interrogação ou se livrar da criança questionadora. Se o adulto não tiver condições emocionais ou não souber muito bem como esclarecer a questão, o melhor que ele tem a fazer é pedir à criança para aguardar, até se sentir em condições.

Ninguém está pronto para responder a todas as perguntas o tempo todo. Algumas delas mexem com dificuldades do próprio adulto. Muitas vezes, por questões pessoais, pais e professores não se sentem confortáveis para abordar determinados temas, tais como a sexualidade. Antes de falar sobre o assunto, portanto, é preciso se livrar dos tabus e dos medos pessoais que ele incita.

Até onde se deve responder aos questionamentos infantis? Esta é uma dúvida muito frequente, mas, como cada criança é uma criança, com experiências diferentes, não existe uma resposta padrão para cada idade ou fase.

É preciso agir com muito tato e perceber o que a criança já tem de conhecimento e o que ela quer saber sobre o tema. Sempre é bom distinguir entre a pergunta por interesse e a pergunta por curiosidade, mencionada acima.

Desta forma, os adultos cuidarão para nem deixar de responder, nem antecipar respostas. Eles devem permitir que, seja por interesse ou por curiosidade, a criança continue o seu processo de investigação: se estiver satisfeita com a resposta, irá parar de perguntar; se quiser se aprofundar, prosseguirá.

Mas não subestime a capacidade dos pequenos de perceber, como os cientistas em suas pesquisas, o que na resposta aparece como incoerente às suas associações. Se perceberem que algo não está bem, certamente buscarão “novos campos de pesquisa” e, neles, novos “candidatos” a lhes dar respostas.

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