Infância e Adolescência

Não basta ser pai

quarta-feira, 19 agosto , 2015

O pai precisa, desde cedo, participar do mundo da criança entendendo que este processo acontece aos poucos. E, à mãe, cabe a missão de incluí-lo.

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Quando o bebê nasce, a mãe, em função da licença-maternidade, pode estar junto do seu bebê o tempo que desejar. O mesmo não acontece com o pai, que após uma semana retoma sua rotina diária de trabalho.

Durante os primeiros meses de vida do bebê, o pai, ao sair para o trabalho e ao retornar à casa, costuma encontrá-lo dormindo. Se não for criado um espaço para a participação do pai na vida do filho, poucos encontros eles terão nesta fase.

O pai precisa, desde cedo, participar do mundo da criança entendendo que este processo acontece aos poucos. E, à mãe, cabe a missão de incluí-lo. Como? Organizando algumas atividades das quais o pai possa participar.

Uma das tarefas do pai é ser cúmplice da mãe compreendendo que esta fase inicial da maternagem, apesar de extremamente prazerosa, é também cansativa e preocupante.

Sabe-se que o bebê, no início da vida, conhece a mãe, porque a entende como um prolongamento de si mesmo. Só mais tarde passa a conhecer o que está a sua volta. É a mãe quem lhe oferece esta oportunidade, e é assim que tem que ser. Por isso, é muito bom para o bebê que atividades como o banho, a troca de roupa e algumas mamadas, por exemplo, se deem na presença do pai. Ao estar ali, inicialmente como testemunha do que acontece, o pai marca uma diferença, diluindo, em parte, essa relação simbiótica entre mãe e bebê. A sua presença e a sua participação são fundamentais para que a criança se desenvolva de forma saudável.

A seguir, apresento duas das funções do pai:

Amparar a mulher: trata-se de um momento extremamente delicado porque a mulher está muito dividida entre ser mãe e ser mulher. Muitas vezes sente-se feia em função da mudança do corpo e cansada pela dedicação quase que exclusiva ao bebê nos primeiros meses. O marido precisa acolhê-la e, com sensibilidade, marcar o seu lugar na relação tanto de homem para mulher quanto de pai para filho.

Ser real: o pai precisa existir para que a criança tenha uma referência real de quem a concebeu (conceber não do ponto de vista biológico, mas daquele que adotou a ideia de que tem um filho). A criança necessita de um pai que, com a sua presença (desde o início da vida), ofereça recursos para que ela, de fato, introjete a ideia do que é um pai, para crescer bem. Caso não seja possível (não havendo um pai participativo, nem um substituto para esta função), a criança incorporará algo deste pai e passará a repetir de forma equivocada.

Como exemplo, pode-se pensar num pai-protocolo, que só comparece para fazer exigências e que só concebe o seu ponto de vista, desconhecendo ou desconsiderando as produções do filho. A criança, para ter este pai dentro de si, “engole” algo que reconhece nele e passa a reproduzir a qualquer custo, até mesmo o da autodestruição. Neste caso, não há encontro passível de transformação de ambas as partes.

É extremamente valioso, para o desenvolvimento da criança, que o pai a deixe compartilhar de seus afazeres e que ele participe das brincadeiras dos pequenos. E isto não demanda muitos recursos:

– Para o bebê, a brincadeira de esconder e aparecer atrás de um pano é extremamente agradável.

– Também é muito importante para ele a brincadeira de jogar objetos no chão e aguardar que alguém os recupere.

– Quando a linguagem oral já está presente na vida da criança, ela adora aprender musiquinhas infantis seguidas de pequenas encenações. A criança pequena também adora criar, brincar com restos de materiais e imitar o pai nas suas atividades.

– Quando maior, gosta de ajudar a consertar coisas, cuidar das ferramentas, ajudar a lavar o carro, sair junto com o pai para comprar algo ou acompanhá-lo em sua atividade de lazer.

– Crianças de todas as idades gostam que o pai esteja presente nas apresentações de teatro na escola, nas competições de futebol e nos concursos dança.

Estes exemplos servem para ilustrar o que a criança gosta e pode fazer com o pai e enfatizar que esta função de brincar não é exclusiva da mãe. Cada um dos pais, ao brincar, marca algo diferente na criança, ainda que a brincadeira seja a mesma.

Quem tem mais de 20 anos se lembra daquela propaganda que dizia: “Não basta ser pai, tem que participar…” No entanto, é preciso que a mãe favoreça este espaço. Tanto para as meninas quanto para os meninos, é importante terem um tempo a sós com o pai. Estes momentos ficam marcados na vida da criança e, certamente, serão importantes para seu desenvolvimento nas fases posteriores.

Então, para as mães, fica um recado: não será responsabilidade de vocês a capacidade do pai de tornar estes momentos fecundos, agradáveis e marcantes na vida da criança, mas será importante que vocês permitam que eles aconteçam.

As mães, em geral, têm a preocupação de que os pais não sabem cuidar, como elas, das crianças. Estão certas! Pai cuida como pai e é assim que deve ser!

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