Infância e Adolescência

O Impossível na Educação Sexual

quinta-feira, 2 maio , 2013

Muito mais importantes do que a “educação” sobre a sexualidade são as descobertas feitas pelas crianças no próprio corpo. As informações que vêm de fora para dentro através dos discursos, por vezes de cunho moralista, podem empobrecer a experiência infantil.

O presente artigo tem como objetivo discutir a validade da educação sexual para crianças, considerando-se, entre outros aspectos, a importância de se compreender que cada criança é um ser único, com necessidades distintas. Apesar de muitas vezes o adulto considerar a idade como instrumento de medição para dar a elas certas informações, o que está em jogo é a maturidade emocional, cuja conquista ocorre a partir das experiências que vivem, principalmente, junto à família.

Muitos pais ainda encaram o tema sexualidade como algo pertencente apenas ao mundo adulto. No entanto, proponho a todos que pensem na importância do corpo desde o nascimento e no prazer que é sentido pela criança desde o início da vida, quando ainda é amamentada ao seio. Afinal, o corpo da criança é um corpo sexualizado.

No atendimento aos pais de crianças pequenas, dúvidas sempre surgem, e com elas certa dificuldade em lidar com alguns temas, como a masturbação. É importante, então, saber que a masturbação tem grande relevância para a criança. Ela é natural, um momento em que a criança pode encontrar-se consigo mesma e com o seu corpo.

O que é prejudicial, pois pode apontar para alguma dificuldade que a criança está passando, é a compulsão em se masturbar. Isto é, quando a criança o faz a qualquer hora, em qualquer lugar ou em situações que geram sentimentos como ansiedade, insegurança ou medo.

Muitos pais ficam constrangidos quando os filhos os abordam com perguntas referentes a sexualidade. Porém, os pais devem sentir-se confortáveis para escutar ou debater algo que a criança traz das suas experiências, como a masturbação, e não tratar do assunto com juízo moral. Caso sintam dificuldade, vale buscar a orientação de um profissional.

Durante a infância é comum que as crianças toquem uma as outras, fazendo estas experiências entre elas, principalmente entre os iguais: meninas com meninas e meninos com meninos. Brincadeiras sexuais são organizadoras e importantes para que posteriormente, na fase adulta, possam viver o sexo genital maduro. Não se trata de estimular a criança, até porque é inerente ao ser humano viver tais experiências, ainda que com medo e culpa (a não ser que passe por um processo de privação ou negação). Mas se trata de entender que são experiências naturais e saudáveis e, portanto, não devem ser encaradas como algo errado.

Muitos adultos não se recordam deste período da vida infantil. Talvez venha daí a dificuldade em lidar com o assunto. Não se pode tratar o tema como tabu ou se assustar e pensar que um menino de três anos que mostra o “pintinho” para uma menina no cantinho do quintal tem sua sexualidade exacerbada.

As brincadeiras de “mamãe e papai”, “casinha” e “médico” são brincadeiras importantes usadas como possibilidade de viver essas experiências. Outra forma de conhecimento encontrada pelas crianças pequenas envolve plantas e, sobretudo, animais. É natural as crianças gostarem de saber o que há dentro deles, como vivem, como constroem as suas famílias etc. Não há nada de inocente nesta curiosidade e o que se pode pensar é que, na tentativa de acompanhar como vive o bichinho, as crianças estão perguntando sobre elas próprias. Neste “jogo”, vão encontrando algumas respostas.

Diferentemente dos pais que ficam inibidos e preocupados se os filhos são precoces, existem aqueles que se antecipam e os estimulam com imagens, comentários e brincadeiras totalmente inadequadas. Ainda é comum encontrarmos pais que pensam que filhos homens precisam ser estimulados, “assegurando-se”, desta forma, de que eles serão heterossexuais. Cada coisa no seu devido tempo!

É importante ressaltar que quando se fala de sexualidade infantil o que está em questão são todas as zonas que dão prazer e que estão para além de uma compreensão biológica ou fisiológica: por exemplo, o sugar do polegar pelo bebê e a retenção das fezes. Quando falamos de sexual não o reduzimos ao genital.

Vale também reafirmar a necessidade de pais e professores estarem sempre prontos para responder às demandas vindas dos filhos e dos alunos, livres de preconceitos. Certamente, a criança terá ganhos inquestionáveis se puder contar com pessoas próximas a ela. O mesmo não se pode dizer de uma “educação sexual” organizada e padronizada, pronta a atender uma demanda social que desconsidera o sujeito como um sujeito sexualizado.

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