Infância e Adolescência

Agressividade Infantil

quinta-feira, 2 maio , 2013

Apesar da busca pelo equilíbrio e do desejo de viver num mundo de paz, sem guerras e conflitos, as relações não são simples. E todo este processo faz parte da condição humana. Não é fácil aceitarmos a agressividade como uma tendência nossa.
Com frequência, tentamos escapar deste saber disfarçando as situações nas quais o ato agressivo se faz presente, ou negando, colocando a culpa num objeto externo.

Não existe encontro onde amor e ódio deixam de comparecer. Por isso, neste jogo, a agressividade e a possibilidade de destruição estão sempre presentes. Tomemos como exemplo o ato de amamentar. Desde o nascimento, o bebê vive estes impulsos agressivos. Num primeiro momento, é capaz de “atacar” o seio da mãe em busca de satisfação. É bom lembrar que nos primeiros meses de vida a criança não se vê como uma pessoa separada de sua mãe: mãe e bebê são unos. E, quando ele ataca o seio, está atacando algo em si próprio. Ao mesmo tempo, vai construindo a noção de que algo fora dele é afetado (no caso, a mãe). Ela é afetada quando, por exemplo, grita de dor ou puxa o seio da boca do bebê. Algo de novo neste encontro vai sendo construído e, por também se sentir ameaçado (de perder o seio, por exemplo), o bebê busca uma reconciliação. Neste ponto, é preciso, de fato, que o bebê tenha junto de si uma mãe que o suporte e ofereça limite.

Este exemplo mostra como o desenvolvimento psíquico do bebê passará diretamente pelas experiências e pelo desenvolvimento do corpo físico. Através da experiência, ele internaliza aspectos bons, mas também aspectos negativos. As forças boas e más operam com grande intensidade.

A explosão da agressividade do bebê (como a dos adultos) não deixa de ser uma possibilidade de colocar para fora algo que o incomoda e com o qual não sabe lidar. O contrário disso, as forças destrutivas controladas internamente, poderia levar a criança, bem como o adulto, ao adoecimento.

A criança buscará formas criativas para lidar com os medos diante dos seus impulsos de cólera ou diante de algo que a incomoda e que pode levar aquele que a está “incomodando” à destruição. As brincadeiras e os jogos poderão ser usados como recursos onde o mal aparecerá sem que ela se sinta culpada ou mesmo preocupada com as possíveis punições do mundo externo — dos pais, professores, colegas… Nas brincadeiras também é vivenciada a possibilidade de destruição e de reconstrução.

É preciso compreender que a agressividade não é de todo ruim. Quando não é negada, mas vivida de forma madura, serve de alavanca e recurso para lidar com as dificuldades que existem nas relações humanas (suportar as diferenças, as impossibilidades momentâneas, e crescer nos relacionamentos).

Ao contrário, quando não se está firme neste processo, quando não se internalizou a ideia de que se pode sentir raiva e que o ódio é inerente a sua vontade, tratando-se, muitas vezes, de uma manifestação inconsciente, então as perdas poderão ser grandes. E, muitas vezes, o emprego da lei torna-se necessário.

Temos como exemplo os jovens do Rio de Janeiro que bateram na empregada doméstica porque pensaram ser ela uma prostituta. A diferença de classes e o horror que tomou conta destes jovens diante de uma “mulher/prostituta” fizeram com que eles passassem ao ato. Em quem batiam (na fantasia) quando agrediam esta mulher? Qual o significado de mulher na vida deles? O que os levaram a sentir indignação, raiva, ódio, ou apenas desvalorizá-la como mulher? Qual fantasma os assombrou e os levou a cometer esta barbárie?

Quando falha a lei interna, esta construída desde o nascimento na relação das crianças com os adultos (pais e responsáveis), entra a lei da sociedade.

A criança, portanto, precisa da presença de autoridades na sua vida, pais e professores precisam ocupar os seus devidos lugares, mas sem ditadura! Com muita tolerância e diplomacia, é preciso ajudar a criança a compreender os seus sentimentos e suportá-los lembrando que o não e a capacidade de lidar com as frustrações fazem parte da história.

Não se deve, no entanto, esperar que a criança aceite os nãos e as impossibilidades da vida passivamente. Muitos pais quando brigam com seus filhos, seja porque fizeram algo de errado ou porque desejam algo que não podem ter naquele momento, não permitem que eles fiquem tristes, chorem ou se irritem. Mas para onde vão todos os sentimentos quando não são expressos? Como poderá a criança elaborar e até mesmo reorganizar a forma de pensar sobre o acontecido se o que os pais querem é que ela se cale diante dos seus nãos?

Lembre-se: dar limite sim, ter autoridade sobre os filhos sim, mas sem impedi-los de transformar os seus lamentos em aprendizagem.

Ao aprender a transformar a sua agressividade em recurso para o seu crescimento, a criança será capaz de suportar a ideia de que, apesar das diferenças existentes entre ela e as outras pessoas, apesar de não ganhar sempre, pode sentir e ao mesmo tempo transformar o seu sentimento sem ter que aniquilar os que estão a sua volta.

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Assuntos Infância e Adolescência, Sintomas

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