Educação

A Escola e a Criança

segunda-feira, 15 maio , 2017

A maioria das crianças se adapta ao que os pais e a escola esperam dela. No entanto, temos um grupo de crianças que não aceita ou não consegue se submeter a um modelo de escola que é incoerente com o mundo atual. A escola costuma usar o jargão ENSINAR PARA A VIDA, mas tem profunda dificuldade em receber “a vida” através das histórias realmente vividas pelos seus alunos.

No dia-a-dia são muitos os conteúdos ensinados. Crianças mais sensíveis e mais atentas à ideia de que o que se aprende está atrelado à vida sofrem com determinados conteúdos.
Essas crianças, por muitas vezes, são rotuladas e diagnosticadas como desatentas e hiperativas. Na verdade, são crianças que estão denunciando um modelo de escola arcaico e desconectado da realidade do mundo. Crianças que apresentam tais comportamentos estão dizendo que a escola deve ser VIVA.

Vou apresentar exemplos para que as ideias se tornem mais claras.

Maria está no terceiro ano e a professora começa a ensinar o conceito de multiplicação. Maria, que até então era filha única, aguarda o nascimento do irmão. Este fato, que não parecia um problema na família, vem à tona na escola. Como? Diante de um conteúdo ensinado pela professora, o sofrimento de Maria encontra sentido.

É através da “dificuldade de aprender matemática” que Maria passa a falar do seu sofrimento. Não é fácil porque não aparece claramente e nem sempre é percebido pela própria criança, pelos pais e pela professora. No caso de Maria, trata-se da angústia por ter que dividir seu quarto, seus brinquedos e, sobretudo, seus pais… Mas esta angústia só se mostra a partir desta “dificuldade” em matemática: Maria não aprende o conceito de multiplicação.

Maria chega ao consultório com as seguintes queixas: problemas de aprendizagem, desinteresse, desatenção, hiperatividade.

Maria não apresentava dificuldade nenhuma para aprender, ao contrário, era tão sensível ao que aprendia que sentia medo. Desconcentrar-se, conversar, levantar a toda hora e pedir para ir ao banheiro eram formas inconscientes de se defender: fazia porque tinha medo de aprender algo que poderia ameaçá-la.

Um segundo exemplo é o de um menino pequeno, ainda na Educação Infantil. Já na primeira atividade do dia, a chamada “rodinha”, onde os amiguinhos contam suas novidades, ele não consegue ouvir: não para, fica literalmente rodando na “rodinha”. A escola o encaminha para a terapia.

João não consegue escutar porque não aprendeu que as outras pessoas também são interessantes e têm coisas legais a serem observadas. João é temporão de uma família de quatro irmãos – é a gracinha da família, é o esperto e o melhor… Esta é apenas uma das hipóteses que foram levantadas no seu diagnóstico.

A análise pode ajudar não só a criança, mas também as famílias nas suas dificuldades: possibilitar que falem das suas dores, dos seus medos e sofrimento de outra forma, sem usar a escola para esse fim e sem oferecer prejuízo à criança.

É preciso compreender que a escola é o segundo grupo social da criança e facilmente ela deposita neste espaço muito do que a incomoda. A escola precisa ser vista como um lugar muito maior do que aquele que ensina conceitos, valores… A escola precisa pensar que o seu lugar não é mais apenas o de formação e informação, mas também um lugar de escuta: precisa incluir a diferença e o que foge a um certo padrão esperado. Mas sobre este assunto falaremos num outro artigo.

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