Educação

Criança, Pais e Tecnologia

quinta-feira, 23 outubro , 2014

Mudanças acontecem desde que o mundo é mundo. Algumas das coisas aprendidas se tornam ultrapassadas, inapropriadas e inutilizáveis nos tempos atuais. Falo especialmente das mudanças relacionadas à tecnologia.

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CRIANÇA, PAIS E TECNOLOGIA

Será que hoje podemos educar com os mesmos valores, propostas, ideais e instrumentos do passado, muitas vezes considerados como valores absolutos? Sem dúvida, muito do que se encontra na história é importante e sempre será, até para que se possa compreender o presente e pensar o futuro.

É certo que a maioria dos pais educa seus filhos a partir dos parâmetros construídos quando foram educados pelos próprios pais. Noções como respeito ao próximo, honestidade, cordialidade e boas maneiras são transmitidas não apenas pelo discurso do pai, mas porque o filho o vê praticando. Por outro lado, em função das mudanças que acontecem desde que o mundo é mundo, algumas das coisas aprendidas se tornam ultrapassadas, inapropriadas e inutilizáveis nos tempos atuais. Falo especialmente das mudanças relacionadas à tecnologia.

Os avanços e as mudanças, com frequência, trazem insegurança. Nunca se sabe o que vai acontecer quando não se conhece o que a cada minuto aparece como novidade no mundo. Talvez seja esta a maior mudança dos tempos atuais — a rapidez com que surgem novos recursos e aparatos tecnológicos.

Certamente, os pais das crianças de gerações anteriores (nossos pais e avós) também passaram pelo mesmo processo, e era possível escutá-los em suas lamentações: “Ah! Naquele tempo é que era bom!”, “Hoje em dia ninguém tem mais tempo para conversar… as crianças ficam o tempo toda na frente da televisão”. Muitos pais ficam incomodados com o número de horas que os filhos passam diante do computador, jogando videogame ou escutando música no iPod. As crianças que nasceram nos últimos anos já nasceram antenadas, isto é, ligadas a tudo o que envolve tecnologia.

Os brinquedos são a pilha, coloridos, andam, falam, interagem com a criança. E o que há de ruim nisso? Os pais não devem tratar brinquedos eletrônicos, videogames e computadores como inimigos, tampouco travar uma competição com eles. As famílias precisam incluir a modernidade ao invés de tentar expulsá-la de sua casa: esta tentativa é pura ilusão!

Também não se pode pensar que o advento de tudo o que há de mais moderno exclui outros brinquedos e brincadeiras tradicionais. O que acontece é que os produtos eletrônicos são muito bem apresentados pelos seus fabricantes e há todo um trabalho de marketing capaz de seduzir e transformá-los em objetos de desejo. Faço agora uma provocação aos pais: e vocês, como apresentam as brincadeiras infantis aos seus filhos? Como brincam com eles? Brincam? Já lhes mostraram um saco de bolas de gude? Já os levaram para soltar pipa? Já compraram bonecas de pano e montaram uma cabaninha no quarto para brincar de casinha? Só experimentando é que eles podem ou não gostar do que conheceram e viveram.

Neste momento você pode estar questionando: “Ah! As crianças não querem nem saber sobre estas brincadeiras, só querem saber de… São muito resistentes!” É, até podem ser resistentes, como também são os adultos que manifestam aversão à tecnologia.

Tenho, então, uma proposta a fazer: que os pais apresentem o seu arquivo de brincadeiras e jogos, mas quebrem a barreira contra o novo e também se permitam conhecer o que a criança tem a lhes oferecer.

Computador, carrinho de controle remoto, casinha de boneca, pipa, peão ou bolinha de sabão? Penso que mais importante do que o objeto e o tempo que a criança gasta com qualquer um deles é a serviço de quê estão estes objetos quando usados como brinquedos.

Por exemplo: uma boneca que é dada à criança para brincar o tempo todo sozinha e não perturbar a mãe que precisa fazer os serviço de casa, ler um livro ou fazer qualquer outra coisa que não seja brincar com ela pode ser tão inválida quanto o tempo usado pela mesma criança para jogar no computador. Não se trata, aqui, do objeto usado, mas de como ela está usando e para quê. O valor da brincadeira está no brincar propriamente dito e no que se constrói na brincadeira. Por isso é tão comum vermos crianças pequenas valorizando muito mais o embrulho do presente ou a caixa do que o brinquedo contido nela. Os pais tendem a desconstruir a brincadeira retirando o papel e a caixa da mão da criança para que ela possa dirigir-se ao brinquedo propriamente dito.

A brincadeira para a criança é coisa séria! Brincando, pode reelaborar situações do dia a dia, apreender sobre o mundo e, principalmente, sobre ela mesma. Portanto, a brincadeira precisa ser respeitada e os instrumentos escolhidos para este fim também. Nenhuma escolha é feita aleatoriamente. No brinquedo escolhido e no modo de brincar reconhecemos a criança que brinca.

Assim como os adultos escolhem seus objetos e as atividades de sua preferência (jogar futebol, ficar deitado vendo televisão, passar horas lendo um livro, pintando um quadro, escutando música, fazendo jardinagem…), a criança também tem direito a fazer escolhas e deve ser respeitada por isso.

Desta forma, não vale desvalorizar o que ela gosta de fazer ou menosprezar a brincadeira em questão. Lembre-se: um papel de presente, na imaginação da criança, pode ser o que ela quiser, ou, indo mais fundo, pode até ser transformado, ainda que nos seus pensamentos, no que ela precisa naquele momento. Certamente, a brincadeira que a criança escolhe é algo que ela gosta muito de fazer. Assim, ao invés de recriminá-la porque gosta de joguinhos de computador ou videogame, por exemplo, procure vê-la jogando ou jogar com ela.

É claro que crianças estão em formação e precisam da contenção e dos cuidados dos adultos. Cabe a eles organizar o tempo dedicado à brincadeira e às outras atividades que precisam ser realizadas. Também é importante observar a forma como ela está utilizando o “brinquedo” escolhido.

É claro que o computador não é um instrumento tão inocente quanto uma boneca, principalmente com o acesso à internet. Neste caso, é preciso acompanhar e limitar o que ela pode acessar de acordo com a sua idade e compreensão.

A tecnologia já faz parte da história atual. Está cada vez mais presente na vida de todas as pessoas. Apesar dos equívocos encontrados em muitos desses “brinquedos”, como jogos que valorizam a violência e sites que divulgam assuntos de forma equivocadas ou inapropriadas, para os pais eles podem ser mais um instrumento útil ao desenvolvimento do filho e mais um recurso no qual a comunicação e a diversão entre eles podem estar garantidas.

 

 

 

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